Exame otoneurológico: o que é, para que serve e como é feito? | Essencial Blog

Exame otoneurológico: o que é, para que serve e como é feito?

Essa avaliação minuciosa é essencial para a compreensão detalhada do estado do sistema auditivo e de equilíbrio, proporcionando diagnósticos precisos de condições relacionadas ao ouvido interno

Mariana Pimentel em Tempo de leitura: 11 minutos
Exame otoneurológico: o que é, para que serve e como é feito?

O exame otoneurológico compreende uma série de testes e procedimentos destinados a avaliar a funcionalidade do sistema auditivo e do equilíbrio, sendo conduzido por um especialista conhecido como otoneurorrinolaringologista. Essa avaliação é crucial para diagnosticar distúrbios associados ao ouvido interno, labirinto (órgão responsável pelo equilíbrio) e suas conexões com o sistema nervoso central.

Esse tipo de exame desempenha um papel fundamental na identificação de condições como vertigem, tontura, zumbido, perda auditiva e outras afecções relacionadas. Durante o procedimento, é possível analisar a capacidade auditiva e a sensibilidade a diferentes frequências sonoras, bem como avaliar o equilíbrio por meio de testes como a prova calórica e a posturografia, identificando potenciais problemas no labirinto.

O exame otoneurológico se dá por um processo que abrange diversas etapas, incluindo uma anamnese detalhada para coletar informações sobre o histórico médico do paciente, uma avaliação clínica abrangente, e a realização de testes auditivos e vestibulares, que englobam a observação de movimentos oculares e a aplicação de estímulos no ouvido. Com base nos resultados obtidos, é possível realizar diagnósticos precisos de condições relacionadas ao ouvido interno e ao equilíbrio.

Para que serve o exame otoneurológico?

O exame otoneurológico é fundamental para avaliar a função do sistema auditivo e do equilíbrio, fornecendo informações detalhadas sobre a saúde e o desempenho do ouvido interno, do labirinto e das conexões nervosas relacionadas. Aqui estão as principais finalidades e utilidades desse exame:

Diagnóstico de distúrbios auditivos

Avalia a capacidade auditiva em diferentes frequências sonoras, ajudando a diagnosticar perda auditiva e outras condições relacionadas à audição.

O diagnóstico de distúrbios auditivos envolve a avaliação da capacidade auditiva em diferentes frequências sonoras por meio de testes audiométricos. Esses testes ajudam a identificar perda auditiva e outras condições relacionadas à audição, como zumbido ou distúrbios do equilíbrio. O paciente é exposto a sons de diferentes intensidades e frequências, e sua capacidade de ouvir e reconhecer esses sons é registrada em um audiograma, fornecendo informações cruciais para o diagnóstico e a avaliação do tratamento adequado.

Avaliação do equilíbrio e labirinto

Verifica o funcionamento do sistema vestibular e o equilíbrio corporal, identificando distúrbios que podem causar vertigem, tontura e desequilíbrio.

A avaliação do equilíbrio e do labirinto envolve a verificação do funcionamento do sistema vestibular e do equilíbrio corporal. Isso é feito por meio de testes que avaliam a capacidade do paciente de manter o equilíbrio em diferentes situações, como caminhar em linha reta, ficar de pé com os olhos fechados e realizar movimentos específicos da cabeça.

Além disso, testes como a videonistagmografia (VNG) podem ser usados para monitorar os movimentos oculares em resposta a estímulos visuais e auditivos, identificando distúrbios que podem causar vertigem, tontura e desequilíbrio. Essa avaliação é fundamental para diagnosticar e tratar problemas no sistema vestibular e proporcionar cuidados adequados ao paciente.

Vertigem e Tontura

Ajuda a determinar as causas de vertigem e tontura, sintomas frequentemente relacionados a problemas no sistema vestibular.

Consiste numa avaliação clínica que ajuda a determinar as causas desses sintomas, que frequentemente estão relacionadas a problemas no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio. O processo inclui a revisão do histórico médico do paciente, um exame físico detalhado e, às vezes, testes específicos, como a videonistagmografia (VNG) e exames de imagem. Esses procedimentos auxiliam na identificação das condições subjacentes, como distúrbios no ouvido interno, labirintite, enxaqueca vestibular, entre outras, para que um tratamento apropriado possa ser prescrito.

Análise de Zumbido (Tinnitus)

Avalia o zumbido no ouvido relatado pelo paciente, auxiliando no diagnóstico da causa e seu tratamento.

A análise de zumbido, ou tinnitus, avalia os sons percebidos no ouvido relatados pelo paciente. Isso ajuda a diagnosticar a causa subjacente e determinar opções de tratamento. O processo inclui revisão do histórico médico, avaliação auditiva e possivelmente exames adicionais, como ressonância magnética. O tratamento é prescrito com base na causa identificada e pode incluir terapia sonora, medicamentos ou cirurgia, visando melhorar a qualidade de vida do paciente.

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Monitoramento da Função Coclear e do nervo auditivo

Permite avaliar a condução elétrica do nervo auditivo e a função da cóclea (parte do ouvido interno relacionada à audição). O monitoramento da função coclear e do nervo auditivo envolve a avaliação contínua da capacidade auditiva do paciente. Isso é feito por meio de testes auditivos que acompanham a resposta do ouvido interno e do nervo auditivo a estímulos sonoros. Essa monitorização é crucial para detectar problemas precocemente, como perda auditiva progressiva ou danos no nervo auditivo, permitindo intervenções médicas adequadas quando necessário.

Auxílio na prescrição de aparelhos auditivos

Ajuda a determinar o tipo e a configuração adequados de aparelhos auditivos para pacientes com perda auditiva. Detre eles podemos citar os principais tipos:

  • Aparelhos auditivos microcanal invisível (IIC): é o menor aparelho auditivo disponível no mercado, sendo personalizado para cada paciente e o mais invisível e discreto. Esse tipo de aparelho é adequado para perdas auditivas leves a moderadas.
  • Aparelhos Auditivos Retroauriculares (BTE): é o tipo mais comum de aparelho auditivo e BTE significa behind the ear, ou atrás da orelha. São adaptados a orelha com um molde personalizado do conduto auditivo. Eles são leves e podem atender a todos os tipos de perdas auditivas, desde leve a profunda.
  • Aparelhos Auditivos Intracanal (ITC): em inglês intra channel, são colocados dentro do canal auditivo, sendo confortáveis e de mais fácil manuseio. Alguns modelos podem apresentar recursos como botão de volume e de troca de programa. São indicados para perdas auditivas de leve a severa.
  • Aparelhos auditivos completamente dentro do canal auditivo (CIC): são projetados para se encaixarem completamente dentro do canal, tornando-os menos visíveis e mais confortáveis. São moldados para ficarem perfeitamente no canal auditivo individual e são adequados para perdas auditivas de leve a severa.
  • Aparelhos Auditivos RIC (Receptor no Canal): esses dispositivos têm um receptor dentro do canal auditivo, conectado a um aparelho colocado atrás da orelha. São adequados para várias perdas auditivas e oferecem uma boa qualidade de som.
  • Aparelhos Auditivos CROS e BiCROS: projetados para pessoas com perda auditiva em um ouvido, o CROS encaminha o som do ouvido surdo para o ouvido com audição normal, enquanto o BiCROS amplifica o som no ouvido com audição normal.
  • Implantes Cocleares: são dispositivos cirurgicamente implantados no ouvido interno e são usados para pessoas com perda auditiva profunda ou grave que não se beneficiam de aparelhos auditivos convencionais.
  • Aparelhos Auditivos Bluetooth: conectam-se a dispositivos eletrônicos, como smartphones e TVs, para facilitar a transmissão de áudio diretamente para os aparelhos auditivos.

Planejamento de tratamento

Baseado nos resultados, o médico pode criar um plano de tratamento individualizado para abordar as condições identificadas, como terapia de reabilitação vestibular ou procedimentos cirúrgicos, se necessário.

Acompanhamento de pacientes com distúrbios neurológicos

Em alguns casos, o exame otoneurológico é utilizado para monitorar pacientes com distúrbios neurológicos que podem afetar a audição e o equilíbrio.

O exame otoneurológico é uma ferramenta valiosa para os profissionais de saúde, pois permite um diagnóstico detalhado e preciso de uma ampla gama de condições relacionadas à audição, equilíbrio e bem-estar do paciente. Com base nos resultados, os médicos podem recomendar tratamentos específicos para melhorar a qualidade de vida e a funcionalidade do paciente.

Como é feito exame otoneurológico

O exame otoneurológico é um procedimento que envolve várias etapas para avaliar a função do sistema auditivo e vestibular. Abaixo estão as principais etapas e métodos envolvidos no exame otoneurológico:

  • Anamnese e história clínica: O médico realiza uma entrevista detalhada com o paciente para entender os sintomas, histórico médico, exposição a ruídos, medicamentos tomados, histórico de doenças e outros aspectos relevantes.
  • Audiometria Tonal Limiar: É um dos primeiros testes realizados para avaliar a capacidade auditiva em diferentes frequências sonoras. O paciente usa fones de ouvido e indica quando consegue ouvir sons.
  • Imitanciometria: É um teste que avalia a integridade do ouvido médio e a mobilidade da membrana timpânica. Envolve a colocação de uma sonda no canal auditivo para medir as respostas do ouvido à variação da pressão de ar.
  • Vectoeletronistagmografia (VENG): Registra os movimentos oculares enquanto o paciente realiza movimentos específicos da cabeça para avaliar a função do sistema vestibular (equilíbrio).
  • Prova Calórica: É um teste que envolve a irrigação do ouvido interno com água fria e quente para estimular o labirinto, permitindo a avaliação do sistema vestibular.
  • Bateria de Testes de equilíbrio e postura: Inclui testes que analisam a capacidade de manter a postura em diferentes situações, identificando desequilíbrios.
  • Potenciais Evocados Auditivos (PEA): Avalia a condução dos impulsos elétricos no nervo auditivo e no cérebro em resposta a estímulos sonoros.
  • Bateria de Testes de Zumbido:  Engloba testes para avaliar o zumbido relatado pelo paciente e determinar suas características e possíveis causas.
  • Avaliação da Função Coclear e do Tronco Cerebral: Inclui testes que analisam o funcionamento da cóclea (parte do ouvido interno relacionada à audição) e do tronco cerebral.
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O processo do exame otoneurológico pode variar em detalhes de acordo com a clínica ou o hospital, mas essas são as etapas e os testes fundamentais. Durante todo o exame, o paciente é monitorado de perto por um profissional de saúde especializado na área para garantir a segurança e o correto desempenho dos testes. Os resultados desses testes são interpretados pelo especialista para chegar a um diagnóstico preciso e definir um plano de tratamento, se necessário.

Como é o preparo para o exame otoneurológico?

O preparo para o exame otoneurológico varia um pouco dependendo dos testes específicos que serão realizados. Abaixo estão as orientações gerais que podem ser aplicáveis antes de se submeter a esse tipo de exame:

  • Informar o médico sobre medicamentos e condições de saúde: Informe o médico sobre todos os medicamentos que você está tomando, incluindo prescrições, medicamentos sem receita, vitaminas e suplementos. Além disso, comunique sobre quaisquer condições médicas relevantes ou alergias.
  • Jejum: Em alguns casos, especialmente para a prova calórica, pode ser necessário estar em jejum de 4 a 6 horas antes do exame. Siga as instruções específicas fornecidas pelo seu médico.
  • Higiene adequada:  Certifique-se de que os ouvidos estejam limpos antes do exame. Você pode ser instruído a limpar cuidadosamente os ouvidos para garantir que os resultados não sejam afetados.
  • Evitar cafeína e álcool: Evite cafeína e álcool pelo menos 24 horas antes do exame, pois essas substâncias podem afetar a função do sistema vestibular.
  • Roupas adequadas: Use roupas confortáveis e que permitam movimentos livres, pois alguns testes envolvem movimentos da cabeça e do corpo.
  • Acompanhante: Dependendo do tipo de exame, pode ser útil ter alguém para acompanhá-lo e auxiliá-lo no deslocamento após o procedimento, especialmente se você estiver sob efeito de medicamentos ou sentir tontura.
  • Tire Jóias e Acessórios: Se o exame envolver colocação de eletrodos ou sensores na cabeça, é recomendável evitar o uso de jóias ou acessórios que possam interferir nos procedimentos.

É fundamental seguir as instruções dadas pelo médico ou equipe médica para garantir que o exame seja realizado com precisão e segurança. Se você tiver dúvidas sobre o preparo específico para o exame que será realizado, não hesite em entrar em contato com a clínica ou o profissional de saúde responsável para obter orientações adicionais.


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